O notável crescimento académico que a (inter)disciplina de Estudos de Tradução tem manifestado nos últimos anos em Portugal é um facto inegável e documentável. Acompanhando tendências internacionais e respondendo também a factores políticos e económicos, os Estudos de Tradução têm-se institucionalizado em licenciaturas e pós-graduações por todos os subsistemas do ensino superior no país, dando origem a um conjunto já apreciável de trabalhos de investigação, que se materializam, como seria de esperar, em dissertações e publicações. Acresce ainda a intensificação de actividades científicas correlacionadas, tais como a realização de congressos, colóquios e conferências, com a participação de especialistas portugueses e estrangeiros de reconhecido mérito. Existe hoje, portanto, em Portugal um terreno pedagógico e científico sólido, um potencial público utilizador em expansão (dentro e fora da academia) e um acervo documental no campo que carece de recolha, sistematização e tratamento, não só a fim de funcionar como instrumento indispensável à investigação, mas também com o objectivo de contribuir para a criação de um sentido de comunidade sem o qual nenhuma área do saber pode progredir. O projecto, que foi inicialmente desenvolvido no âmbito do programa de pós-graduação em Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, integra hoje o conjunto de actividades do Centro de Estudos Comparatistas.

A concepção e execução do projecto foram financiados pelas verbas de I&D da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa com o objectivo de construir e disponibilizar, na forma de base de dados, uma bibliografia que reúna organizadamente os trabalhos publicados em Portugal e no estrangeiro por investigadores portugueses ou radicados em Portugal no campo dos Estudos de Tradução, e que se encontram dispersos pelas mais variadas publicações, muitas vezes de restrita circulação e difíceis de referenciar através dos catálogos disponíveis. Pretendeu-se recolher todos os espécimes bibliográficos que legitimamente se possam categorizar como trabalho de investigação no campo qualquer que seja o formato em que se apresentem: acta, artigo, capítulo, compilação, dissertação, entrevista online, monografia, obra de referência e revista de especialidade. Além disso, consideraram-se elegíveis todos os trabalhos científicos, independentemente do modelo epistemológico adoptado (linguístico ou culturalista) e do objecto tratado: tradução literária, tradução para os media, tradução de teatro, terminologia, tradução assistida por computador, etc. Excluíram-se recensões e materiais pedagógicos.

Na concretização da TradBase colaboraram Ana Raquel Fernandes (2001-2004) e Sara Ramos Pinto (2004-2005). Durante 2010, a TradBase contou com a colaboração de Josélia Neves para a tradução audiovisual e desde 2007 que conta com a colaboração de Marta Pacheco Pinto. Entre 2015 e 2017, contou com o apoio de Marie-Reine de Sá.

O coordenador
João Ferreira Duarte

ISBN 978-989-96677-2-3